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Investimento em imobiliário comercial em máximos históricos (2.330 milhões) apesar da pandemia

12 out 2020
Investimento em imobiliário comercial em máximos históricos (2.330 milhões) apesar da pandemia
Entre janeiro e setembro de 2020, foi atingido um novo máximo de 2.330 milhões, segundo dados do Marketbeat Portugal Outono 2020 da Cushman & Wakefield (C&W).

Nem as dificuldades causadas pelo novo coronavírus travaram o investimento em imobiliário comercial. E este já é considerado, de resto, um dos melhores anos de sempre neste segmento: entre janeiro e setembro de 2020, foi atingido um novo máximo de 2.330 milhões, representando um crescimento de 36% face a igual período do ano passado, segundo dados revelados pela Cushman and Wakefield (C&W). O volume de investimentos previstos até ao final do ano deverá rondar os 2.700 milhões – trata-se de um decréscimo em relação a 2019, mas ainda assim será um terceiro máximo histórico.

“Apesar do impacto negativo da atual conjuntura na atividade de investimento em imobiliário para efeito de rendimento, entre janeiro e setembro deste ano foi atingido um novo máximo histórico de 2.330 milhões, representando um crescimento de 36% face ao período homólogo. Este resultado foi influenciado pela concretização de algumas operações de grande dimensão, que contribuíram para um novo record no valor médio por transação”, refere a consultora no Marketbeat Portugal Outono 2020.

De acordo com a C&W, “a previsível quebra na receita operacional dos imóveis (particularmente nos setores de atividade mais afetados) e a maior aversão ao risco pelos bancos no financiamento de transações imobiliárias” contribuíram para o abrandamento da atividade de investimento no segundo trimestre do ano que, com 141 milhões transacionados, registou uma quebra homóloga de 80%. Esta tem, contudo, segundo a consultora, vindo a recuperar gradualmente ao longo do terceiro trimestre, com enfoque em logística e escritórios e nos segmentos core e core+. “As estimativas de volume total de investimento para este ano situam-se na ordem dos 2.700 milhões, uma quebra homóloga de 15%, registando ainda assim o terceiro máximo histórico de sempre em Portugal”, realça.

O capital nacional duplicou o volume investido 485 milhões no período em análise, mas os investidores estrangeiros continuaram a dominar a atividade de investimento imobiliário em Portugal, tendo sido responsáveis até ao terceiro trimestre por 80% do volume total transacionado.

Grandes transações agitam mercado

A maior transação desde que há registo, a aquisição de 50% da joint-venture Sierra Prime pela Allianz Real Estate e Elo à Sonae Sierra e APG, por cerca de 800 milhões, contribuiu para que o setor de retalho tenha liderado a procura, atraindo 46% do total investido, com 1.058 milhões. Seguiu-se o setor de escritórios, com 35% do volume total (cerca de 810 milhões). Neste setor, destaque para a venda pela Kildare Partners, após dois anos de detenção, do Lagoas Park à Henderson Park Capital Partners por 421 milhões e do portfolio PREOF pela Finsolutia à Cerberus por um valor estimado em 150-170 milhões. O setor hoteleiro captou 13% do capital investido, na ordem dos 310 milhões.

Impacto negativo da Covid-19 na hotelaria

As medidas restritivas adotadas ao nível da entrada e circulação de passageiros "limitaram o setor hoteleiro e intensificaram o impacto negativo da Covid-19 no setor", diz a consultora. Entre janeiro e julho, os hóspedes em estabelecimentos hoteleiros fixaram-se nos 4,2 milhões e as respetivas dormidas em 10,5 milhões, traduzindo quebras de 65% e 68% respetivamente.

Estes valores foram também um efeito do encerramento voluntário de uma grande parte dos estabelecimentos hoteleiros. O número de estabelecimentos de alojamento turístico que terão estado encerrados, ou não registaram qualquer movimento de hóspedes, chegou a situar-se nos 81% em abril, reduzindo progressivamente para 28% em julho.

"Verificou-se também uma redução significativa dos imóveis em oferta neste segmento que, a acrescer às sucessivas penalizações legais e fiscais, enfrenta um futuro incerto", refere a C&W, no relatório. Em termos de oferta hoteleira, até setembro foram inauguradas em Portugal 18 novas unidades com cerca de 1.390 quartos, a maioria (41% dos quartos) com classificação 4 estrelas. Entre estas, destacam-se o Eurostars Aliados no Porto, o B&B Hotel Lisbon Airport em Loures e o Neya Porto Hotel no Porto. Adicionalmente, vários hotéis que encerraram voluntariamente aproveitaram para fazer obras de remodelação durante o período de confinamento.

"Relativamente a projetos futuros, o panorama ramifica-se em diversas situações: hotéis praticamente concluídos e que decidiram estrategicamente adiar a sua abertura; projetos que já haviam iniciado construção e cujas datas de abertura se mantiveram; e alguns hotéis ainda em fase de projeto ou licenciamento com os planos de investimento em fase de revisão", adianta a consutora. Desta forma, apesar das estimativas para a nova oferta hoteleira em Portugal até final de 2023 totalizarem 220 novos projetos e 18.150 quartos, há uma "elevada probabilidade de revisão em baixa", à medida que os efeitos da atual pandemia se refletem nas decisões de investimento.

 

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